A Anatel manteve 500 MHz do 6 GHz para o Wi-Fi e reservou 700 MHz para redes móveis, com regras para equipamentos a partir de 1º de março de 2027. A audiência do leilão em Brasília foi em 16 de outubro; a de São Paulo é dia 21.

Em agosto, o Conselho Diretor aprovou por unanimidade o Acórdão 203 e o Ato 10.400, que limitam o Wi-Fi no 6 GHz à sub-faixa inferior, de 5.925 a 6.425 MHz. A parte superior, de 6.425 a 7.125 MHz, fica reservada para serviços de interesse coletivo, com ênfase no serviço móvel pessoal. O relator foi o conselheiro Alexandre Freire, segundo o Teletime. Em 2021, a Anatel havia destinado os 1.200 MHz da faixa inteira ao uso sem licença, segundo o Convergência Digital.
A justificativa são testes da própria agência. Em laboratório e em simulações, quando redes móveis e Wi-Fi compartilharam o mesmo canal, a vazão do Wi-Fi caiu mais de 90% e a da rede móvel, até 25%, e em outro cenário o Wi-Fi perdeu 100%, segundo a Minha Operadora e o Canaltech. A Anatel também mandou propor um ambiente experimental para testar a convivência futura na parte alta, de modo que a decisão pode ser revista.
| Trecho | Uso definido | Quantidade |
|---|---|---|
| 5.925 a 6.425 MHz | Wi-Fi (uso sem licença) | 500 MHz |
| 6.425 a 7.125 MHz | Redes móveis (5G/6G), via leilão | 700 MHz |
Na prática, o Wi-Fi 6E e o Wi-Fi 7 não deixam de funcionar: os produtos precisam operar dentro dos 500 MHz liberados. Os fabricantes terão de adaptar os modelos vendidos no Brasil, e a capacidade disponível no 6 GHz será menor do que seria com os 1.200 MHz. Aparelhos com Wi-Fi 7, como o iPhone Duo, continuam compatíveis e dependem do que o roteador oferece nessa faixa.
O edital do leilão está em Consulta Pública nº 37/2026. A proposta divide os 700 MHz em 14 lotes, nacionais e regionais, em sete áreas, e limita cada vencedor a um lote de 200 MHz por área. Os vencedores terão obrigações de cobertura, com 4G ou melhor em localidades fora de capitais, e um Compromisso de Infraestrutura Digital Regional, com data centers regionais neutros e de borda no Norte, Nordeste e Centro-Oeste. A votação no Conselho foi por 4 a 0, com um conselheiro pedindo votação presencial, de acordo com o Teletime. O leilão é previsto para 2028.
| Evento | Data | Local e formato |
|---|---|---|
| Audiência pública | 16 de outubro, das 9h às 12h (já realizada) | Sede da Anatel, Brasília |
| Audiência pública | 21 de outubro, das 14h às 17h | Escritório regional, Vila Mariana, São Paulo |
| Contribuições on-line | Até 23 de outubro | Plataforma Participa Anatel |
As audiências são presenciais e transmitidas ao vivo no YouTube da Anatel, mas quem assiste on-line não consegue enviar comentários durante a transmissão, segundo a Data Center Dynamics.
A Dynamic Spectrum Alliance (DSA) contesta a divisão e pede um modelo de compartilhamento para o Wi-Fi usar a faixa toda. A Abrint, que reúne provedores regionais, apoia o pedido: o presidente do conselho, Breno Vale, diz que o limite cria um gargalo, porque a velocidade da fibra não chega aos aparelhos dentro de casa, conforme o Teletime de 15 de outubro. A DSA e os provedores também apoiam as consultas públicas 41 e 42/2026, que tratam de Wi-Fi de potência padrão em ambientes externos e de sistemas de coordenação de frequência na parte baixa. As operadoras, por sua vez, pediram espectro para o 6G, segundo o Convergência Digital. Não encontramos, nas fontes lidas, a posição pública da Conexis.
Outros temas de espectro e telecom no site: a Anatel e a banda S da Starlink, a proposta da Starlink nos EUA, a cobrança de Zanin à Anatel sobre zero rating e a MP que obriga operadoras a autenticar chamadas.
Como ficou a divisão? 500 MHz para Wi-Fi e 700 MHz para redes móveis. Meu roteador Wi-Fi 6E ou 7 vai parar? Não, os produtos já certificados continuam à venda e a adequação ocorre na renovação do certificado. Quando as regras valem? A partir de 1º de março de 2027. Quando é o leilão? Previsto para 2028. Ainda dá para participar? Sim, pela audiência de 21 de outubro ou pelo Participa Anatel até 23 de outubro.