📰 Notícia🧪 TecnologiaIDCPCs

Remessas globais de PCs caem 20,1% no 3T26, para 62,7 milhões, segundo a IDC

As remessas globais de PCs caíram 20,1% no terceiro trimestre de 2026, para 62,7 milhões, segundo dados preliminares da IDC. Lenovo, HP e Dell sofreram quedas maiores que a média; memória cara e data centers de IA estão entre as causas. Os números são globais.

Linha de notebooks e PCs com remessas em queda no terceiro trimestre de 2026
PCs — as remessas globais caíram 20,1% no 3T26, segundo a IDC.
Resumo: a IDC divulgou, em 8 de outubro de 2026, dados preliminares que apontam 62,7 milhões de PCs enviados no terceiro trimestre, queda de 20,1% sobre o mesmo período de 2025 (78,5 milhões). É o segundo trimestre seguido de baixa, bem mais forte que os 3,8% do segundo trimestre. A consultoria liga o recuo a preços mais altos e escassez de componentes, efeito da expansão de data centers de IA. Os números são globais; não há recorte do Brasil.

Os números por fabricante

FabricanteRemessas no 3T26Variação anualParticipação
Lenovo14,9 milhões-22,6%23,8%
HP Inc.10,3 milhões-30,9%16,5%
Dell7,6 milhõescerca de -25%não informada
Apple5,9 milhões-11,3%9,5%
ASUS5,5 milhões-8,6%8,7%
Outras18,4 milhões-14%não informada

A tabela vem do ITDaily, que reproduz os dados preliminares da IDC; o TweakTown confirma o total, a queda de 20,1% e as fatias de Lenovo (23,8%) e HP (16,5%), mas não traz a decomposição completa. Não abrimos o comunicado original da IDC, então recomendamos tratar os números por fabricante como relato de segunda mão. A contagem inclui desktops, notebooks e estações de trabalho; tablets e servidores x86 ficam de fora.

Por que caiu tanto

A explicação da IDC tem duas camadas. A primeira é a de preço e oferta: a expansão de data centers de IA encareceu a memória e restringiu componentes. A segunda é de calendário. Fabricantes e distribuidores compraram muito no primeiro semestre para se antecipar aos reajustes, e o terceiro trimestre foi gasto, em boa parte, em escoar esse estoque. Segundo o analista Jitesh Ubrani, da IDC, o que se vê “é resultado de compras fortes na primeira metade do ano” (tradução livre).

⚠ Remessa não é venda
Remessas medem o que os fabricantes entregam ao canal, não o que o consumidor comprou. Um trimestre com estoque alto pode mostrar queda forte de remessas mesmo com vendas menos fracas. Também não há dados do Brasil nas fontes que lemos, e a IDC trata os números do trimestre como preliminares.

O que esperar

Ubrani avisa que os preços devem permanecer altos e não voltar perto dos níveis de um ano atrás. Ele vê risco de que o cenário para os próximos trimestres piore antes de melhorar, e a consultoria diz que uma retomada em 2027 depende sobretudo da economia. Há um alívio possível no curto prazo: distribuidores com estoque sobrando devem fazer promoções nos próximos meses, segundo o ITDaily.

A pressão de memória aparece em outras frentes que cobrimos: a Micron sem ver fim da escassez de memória, o aumento de preços da Apple e a falta de RAM que atinge até as montadoras de automóveis. Já a corrida por máquinas de IA local aparece na linha RTX Spark da Nvidia.

Perguntas rápidas

Quanto caiu? 20,1% no 3T26, para 62,7 milhões de unidades. Quem liderou? A Lenovo, com 23,8%. Por quê? Memória cara, componentes escassos e estoques formados antes dos reajustes. E no Brasil? As fontes não trazem dados do país. Os dados são finais? Não, são preliminares.