A Micron reportou receita de US$ 54,23 bilhões no trimestre (+379%) e disse não ver quando a escassez de memória acaba, com demanda acima da oferta em 2027 e 2028. Entenda o que isso pode significar para o preço de celulares e wearables.

O balanço fiscal foi divulgado em 30/09. Segundo o comunicado da Micron e o The Next Web (02/10), a receita do quarto trimestre fiscal chegou a US$ 54,23 bilhões, contra US$ 11,32 bilhões um ano antes, e a receita do ano fiscal de 2026 foi de US$ 133,19 bilhões. O lucro líquido do trimestre foi de US$ 37,7 bilhões, e a empresa projeta cerca de US$ 61,5 bilhões para o trimestre seguinte.
O CEO Sanjay Mehrotra afirmou que a empresa não tem “previsão clara de quando a oferta e a demanda voltarão a se equilibrar”, conforme a tradução do Canaltech (01/10). Ele também espera condições de oferta e demanda “muito mais restritas” nos anos fiscais de 2027 e 2028. A explicação central é a demanda por inteligência artificial, que consome grande volume de memória, em especial a HBM.
Sobre os contratos: o 24/7 Wall St e outras coberturas relatam que mais de 75% da produção de 2027 já está comprometida, e o The Next Web fala em cerca de 75%. O número exato varia entre as fontes, mas a ideia é a mesma: a maior parte da oferta futura já tem dono. As novas fábricas, segundo o TNW, só devem aliviar o quadro de forma gradual a partir de 2028.
Memória é um dos componentes do custo de um celular, e a oferta apertada tende a pressionar quem compra em volume. Sinais disso já apareceram: a Samsung subiu o preço de modelos da linha Galaxy S26 em cerca de US$ 100, segundo o The Next Web, e há o rumor de aumento no Galaxy S27. O assunto também aparece em áreas distantes, como a escassez de RAM que atinge as montadoras, e na discussão sobre os reajustes de preço da Apple em 2026.
Em smartwatches e pulseiras, o efeito tende a ser menor, porque esses aparelhos usam pouca memória em comparação com um celular ou um PC. Mas o custo pode chegar por vias indiretas, como componentes e eletrônicos compartilhados por uma mesma fabricante. Ainda não vimos dados que mostrem reajustes de relógios causados especificamente pela escassez; é um ponto a acompanhar.
A Micron prevê quanto tempo de escassez?
Demanda acima da oferta em 2027 e 2028, sem previsão de equilíbrio, segundo o CEO.
Meu celular vai ficar mais caro?
Há risco de reajustes em celulares, sobretudo nos que dependem de mais memória, mas a Micron não deu números de preço ao consumidor.
E os smartwatches?
O impacto direto tende a ser menor, e não há dados de reajustes causados só por isso.
Fontes: comunicado de resultados da Micron (via Pulse 2), The Next Web, 24/7 Wall St e Canaltech, publicados entre 01 e 02/10/2026.