Os novos termos comerciais da Meta, em vigor em 30 de outubro, podem permitir a coleta de sites de notícias por rastreadores. A empresa nega que o foco seja raspar notícias e diz que a revisão retirou a palavra “treinar”.

A Meta atualizou os termos comerciais para contas de negócios, com vigência a partir de 30 de outubro. A primeira versão permitia usar bots e rastreadores para acessar e coletar conteúdo de sites ligados a contas de negócios no Facebook e no Instagram, inclusive para “treinar e manter a integridade” de seus produtos. Segundo o ProPakistani, que resume reportagem do Nieman Lab, a empresa removeu depois a palavra “treinar” e restringiu a finalidade a apoiar, desenvolver, melhorar, pesquisar e manter seus produtos de anúncios e negócios.
| Ponto | Versão inicial | Versão revisada |
|---|---|---|
| Treinar produtos | Citado no texto | Palavra removida |
| Rastreio automatizado de domínios ligados a contas de negócios | Permitido | Continua permitido |
| Finalidade | Incluía “treinar” e manter a integridade | Anúncios e produtos de negócios |
| Vigência | 30/10 | 30/10 |
Resumo editorial do MundoWatch com base no ProPakistani.
Especialistas ouvidos pelo Nieman Lab avaliaram que o texto continua dando à Meta permissão ampla para coletar sites de notícias com poucas restrições. Danielle Coffey, presidente da News/Media Alliance, chamou as regras de “ultrajantes e provavelmente ilegais”, e Theo Bamber, da News Media Association do Reino Unido, falou em “tentativa descarada de apropriação”. A Meta, por meio do porta-voz Andy Stone, respondeu que a mudança vale só para produtos de anúncios e negócios, que “não é sobre raspar sites de notícias” e que não altera o uso atual de rastreadores.
A empresa também diz que não ganha novos direitos para ignorar o robots.txt dos sites. O arquivo, porém, é uma convenção e não tem força legal, e empresas de IA já foram acusadas de desrespeitá-lo. O texto consultado não descreve um mecanismo de opt-out.
A Meta deixou de pagar a veículos por notícias em 2022, encerrou a aba de notícias em 2024 e fechou acordos com alguns editores para abastecer seu chatbot de IA. Por isso, a discussão sobre o que é “coletar para produtos de negócios” e o que é “treinar IA” pesa tanto. Para portais independentes como o nosso, o assunto mistura direito autoral, tráfego e a corrida das big techs por dados, a mesma disputa que aparece na cobertura da Meta sobre IA e código aberto.
Leia também: Meta Muse Spark e o código aberto · Óculos de IA da Meta em 2026 · Meta e o caso do código no GitHub · A disputa entre OpenAI, Google e Anthropic
A Meta vai treinar IA com notícias a partir de 30/10? Não está dito assim nos termos revisados, que retiraram a palavra “treinar”. Especialistas, porém, dizem que a permissão de coleta segue ampla. O que a Meta responde? Que a mudança é só para anúncios e produtos de negócios, que não é sobre raspar sites de notícias e que não muda o uso atual de rastreadores. O robots.txt protege o site? A Meta diz que não ganha direito de ignorá-lo, mas ele não é juridicamente vinculante. Quem criticou os termos? A News/Media Alliance (EUA) e a News Media Association (Reino Unido), entre outros.