Contar passos é a função mais antiga e mais usada de qualquer relógio inteligente, e é também a que mais cabe em um orçamento pequeno: todos os sete aparelhos desta lista custam menos de R$ 800 e a maioria custa menos de R$ 400. A pergunta certa não é “qual relógio é o mais caro?”, e sim “qual eu vou usar todos os dias, 24 horas, sem lembrar de carregar?”. Neste guia reunimos sete smartwatches e smartbands que passaram pela nossa redação, com preço reconferido entre 9 e 11 de outubro de 2026 em varejistas e monitores brasileiros, e explicamos como a contagem de passos funciona, quão precisa ela é, o que a ciência diz sobre a meta de 10.000 passos e como conferir o seu aparelho em casa. O foco aqui é a rotina de todos os dias e o combate ao sedentarismo, não o treino. Também respondemos qual smartwatch comprar para cada perfil.

Todo smartwatch e toda smartband contam passos da mesma forma: um acelerômetro, que mede os movimentos do pulso nos três eixos, e um algoritmo que reconhece o padrão rítmico de uma passada e descarta o resto. Por isso a função existe até em aparelhos sem GPS, e é por isso também que a contagem não depende do celular. O dado fica no próprio relógio e é sincronizado com o aplicativo quando o Bluetooth se conecta.
A consequência é que a precisão depende mais do algoritmo e de como você usa o relógio do que do preço. Ao contrário de um pedômetro preso à cintura, o relógio mede o balanço do braço, e esse balanço muda quando você empurra um carrinho de mercado ou de bebê, segura o volante, gesticula ao falar ou carrega uma sacola. O inverso também acontece: caminhar com a mão no bolso pode subcontar. Uma revisão guarda-chuva publicada na Sports Medicine em 2024, por Cailbhe Doherty e colegas, reuniu a literatura sobre a precisão de wearables de consumo e concluiu que eles em geral subestimam os passos, com erro percentual médio entre -9% e 12% conforme o estudo. O mesmo trabalho cita uma revisão de Fuller e colegas segundo a qual os aparelhos de pulso subestimaram os passos em média 9% (mediana de 2%), com Apple e Samsung apresentando menor variabilidade.
Isso muda o que importa na escolha. Para quem quer saber se está se movendo o bastante, o erro de poucos pontos percentuais é irrelevante, desde que seja consistente de um dia para o outro. O que realmente separa um aparelho bom de um ruim, nessa faixa de preço, é se você vai usá-lo continuamente: peso, conforto da pulseira, tela legível e bateria de semanas. Todos os sete relógios abaixo foram analisados pelo MundoWatch, e os preços indicam a loja e a data. Os nossos reviews não incluem teste controlado de contagem de passos, então não afirmamos que um modelo seja mais preciso que outro; comparamos o que dá para verificar, e mostramos como você mesmo pode conferir.
O número de 10.000 passos por dia é tão popular que virou sinônimo de “meta de saúde”, mas ele é anterior à evidência. Segundo relatos sobre a origem da meta, ela remonta ao Manpo-kei, um pedômetro japonês cujo nome significa “medidor de 10.000 passos”, lançado a partir de meados dos anos 1960, e a epidemiologista I-Min Lee, da Universidade Harvard, já afirmou que não havia estudos que tivessem examinado esse valor. Em outras palavras: é um número redondo e fácil de lembrar, não um limite clínico.
A evidência recente aponta para metas mais baixas. Um estudo publicado em julho de 2025 no Lancet Public Health, liderado por Melody Ding, da Universidade de Sydney, reuniu 57 estudos publicados entre 2014 e 2025 e concluiu que 7.000 passos por dia estão associados a benefícios semelhantes aos de 10.000: queda de 47% na mortalidade em relação a 2.000 passos por dia, de 38% no risco de demência (contra apenas 7% a mais com 10.000) e de 22% no de diabetes tipo 2 aos 10.000 passos, chegando a 27% aos 12.000. Os ganhos extras acima de 7.000 são pequenos para a maioria dos desfechos, e o salto de 2.000 para 4.000 já é mensurável. São estudos observacionais, e muitos participantes eram idosos; os limiares podem variar com a idade.
Não encontramos, nas fichas e nos reviews, ajuste manual da contagem de passos em nenhum dos sete aparelhos. O que está ao seu alcance é manter o perfil correto, usar a pulseira firme e conferir o resultado.
Os modelos estão ordenados por recomendação geral para contagem diária. Os dados técnicos vêm dos reviews do MundoWatch e, quando indicado, das páginas dos fabricantes; os preços foram consultados entre 9 e 11 de outubro de 2026 e indicam a loja onde cada valor apareceu.

A Xiaomi Smart Band 10 é a smartband mais equilibrada para quem quer acompanhar os passos o dia todo. A tela AMOLED de 1,72 polegada (212x520) chega a 1.500 nits, 25% mais que a geração anterior, o que facilita ler a contagem ao sol. O corpo de alumínio pesa 15,95 g sem a pulseira, segundo a Xiaomi, e a bateria de 233 mAh rende até 21 dias segundo o nosso review (o Canaltech cita 14 dias em uso moderado, e a distribuidora DL falou em até 21 dias no lançamento), com carga completa em cerca de uma hora por conector magnético. A resistência é de 5 ATM.
O monitoramento de sono ganhou métricas de eficiência e distribuição de fases, com sugestões baseadas em recomendações da World Sleep Society, e a frequência cardíaca se mostrou coerente em treino de força. São mais de 150 modos esportivos com detecção automática. O review dá nota 8.4 e aponta o que falta: não há GPS próprio, microfone ou alto-falante. Para contar passos, nada disso importa, e a Smart Band 10 entrega o pacote mais confortável da lista.
No lançamento, em 30 de julho de 2025, o preço sugerido foi de R$ 599,99. Em 11 de outubro de 2026, vendedores parceiros da Magazine Luiza listavam a versão global a R$ 266,51 no Pix, R$ 305,24, R$ 397,40 e até R$ 500,98, e o Canaltech registrava cerca de R$ 380 em novembro de 2025. Compre de vendedor com nota fiscal e confirme a compatibilidade com o seu celular.

O Huawei Band 11 é a smartband mais fina da lista: 8,99 mm de espessura, corpo de alumínio (17 g) ou polímero (16 g) e tela AMOLED de 1,62 polegada com 347 ppi e Always-On Display, de 1.500 nits, 27% maior que a do Band 10. A bateria de 180 mAh rende 14 dias em uso leve e cerca de 8 dias em uso típico, segundo o nosso review. A resistência é de 5 ATM, o Bluetooth é 6.0 e o relógio é compatível com Android 9+ e iOS 13+, o que o torna a melhor escolha da lista para quem tem iPhone.
Na saúde, o Band 11 acrescenta análise de HRV em 24 horas, TruSleep 4.0, SpO2, detecção de apneia e o monitoramento de bem-estar emocional, que na prática funciona como um lembrete leve para pausar. O GPS é conectado ao celular, o que é irrelevante para a contagem de passos. O review dá nota 8.3 e registra que a legibilidade ao sol é muito boa para uma pulseira, mas abaixo do Fit 5.
O Band 11 chegou ao Brasil em 27 de março de 2026, com preço de lançamento em torno de R$ 299 e valor sugerido de R$ 499, segundo a Oficina da Net. O Canaltech registrou R$ 254,15 no Pix na Amazon em 22 de julho, e o monitor aponta R$ 249 a R$ 254 em outubro, na Amazon e na Shopee.

O Galaxy Fit3 é a smartband mais completa em saúde por menos de R$ 300. A tela AMOLED de 1,6 polegada tem vidro curvo 2,5D, o corpo de alumínio pesa 18,5 g (36,8 g com a pulseira de silicone), a bateria de 203 mAh dura até 13 dias e a carga completa leva cerca de 35 minutos. Além de contar passos, ela traz ECG, frequência cardíaca, SpO2, sono com insights de IA, estresse e ciclo menstrual, com mais de 100 modos de exercício e reconhecimento automático. O Canaltech lista a contagem de passos entre os recursos de saúde da banda.
O review dá nota 8.1 e aponta o que fica de fora: o Fit3 não tem GPS, microfone ou alto-falante, o NFC é limitado e a experiência é melhor com um celular Samsung; funciona com Android 10+, mas recursos como Samsung Pay e Find My Phone ficam restritos. Ele não funciona com iPhone.
O Fit3 foi lançado em 21 de fevereiro de 2024 por R$ 549 e hoje custa menos de um terço disso. A Oficina da Net listava R$ 199,00 na Amazon e R$ 264,34 na Shopee em 11 de outubro de 2026, com menor preço registrado de R$ 188,04 na data. É um modelo de geração anterior, o que ajuda no preço.

O Redmi Watch 5 Lite é o único da lista com GPS próprio e uma tela de smartwatch de verdade. O corpo de plástico NCVM imita metal, pesa 29,2 g e tem tela AMOLED de 1,96 polegada (410x502) com Always On Display. A resistência é de 5 ATM, e há mais de 150 modos esportivos, incluindo natação. A bateria é de 470 mAh, e o review não informa a autonomia em dias; a imprensa anunciou no lançamento até 18 dias.
É o modelo certo para quem quer um relógio com cara de relógio, que mostra horário, notificações e passos numa tela grande, e que pode registrar uma caminhada com GPS quando você quiser. Os cortes: não tem NFC, Wi-Fi ou conexão móvel, a memória de 256 MB não comporta música offline e o HyperOS não aceita aplicativos de terceiros. A nota é 8.0.
A Oficina da Net listava R$ 314,99 no Mercado Livre e R$ 358,71 na Shopee em 11 de outubro de 2026, com mínima de R$ 229,27 em 15/06/2026; o lançamento foi em 25 de setembro de 2024.

O Huawei Band 10 é a smartband mais leve da lista e a que mais se aproxima de um aparelho para esquecer no pulso. A caixa de polímero tem 8,99 mm de espessura e pesa 14 g, e a versão de alumínio, 15 g, segundo a Huawei. A tela AMOLED de 1,47 polegada tem 194x368 pixels, a bateria de 180 mAh promete 14 dias e rendeu cerca de 11 dias em uso intenso no nosso review, e a carga completa leva cerca de 45 minutos. O review destaca que o aparelho avisa quando a meta de passos é atingida, e a imprensa lista o registro de passos, distância e calorias entre os recursos.
O app Huawei Health permite definir metas diárias para Movimento, Exercício e Ficar de Pé, segundo a página da Huawei Brasil, o que ajuda quem quer sair do sedentarismo. A leitura de SpO2 ficou 2% abaixo de um oxímetro de dedo em testes comparativos citados pelo review, que dá nota 7.9. Os cortes são o GPS (depende do celular), o NFC e a visibilidade sob sol forte, que perde para o Galaxy Fit3. Funciona com Android e iOS.
O Band 10 foi lançado por R$ 599 e aparecia a R$ 378,90 na Oficina da Net em 11 de outubro de 2026, com menor preço de R$ 254,15. Em 20 de agosto, o Canaltech registrou R$ 179,10 no Pix no Mercado Livre com o cupom MELITEC (preço original de R$ 659 no carrinho citado), oferta que pode não estar mais ativa.

O Redmi Watch 5 Active é o relógio mais barato da lista com tela grande e chamadas por Bluetooth. O painel LCD de 2 polegadas (320x385, 250 ppi) mostra a contagem de passos num formato quase quadrado, o corpo pesa 30,6 g sem a pulseira e a bateria de 470 mAh rende até 18 dias típicos (12 em uso intenso). São mais de 140 modos esportivos, alto-falante e dois microfones com redução de ruído, e a certificação oficial é de 5 ATM. O Canaltech cita passos, calorias, batimentos e oxigenação entre as métricas.
O review dá nota 7.7 e deixa claro o que o relógio não tem: GPS, NFC e acabamento mais refinado. O LCD fica atrás do AMOLED em contraste e perde brilho sob sol forte. Em contrapartida, o review conclui que ele só faz sentido na faixa de R$ 240 a R$ 280, e não nos R$ 599 do lançamento. Funciona com Android 8+ e iOS 12+.
A Oficina da Net listava R$ 215,28 no Mercado Livre e R$ 269,48 na Amazon, com menor preço de R$ 190,00 em 21/08/2026 e lançamento a R$ 599 em 18 de novembro de 2024. A Fast Shop listou o modelo bem mais caro, entre R$ 466 e R$ 629, ainda dentro do teto, mas sem justificativa.

O Haylou Solar Lite 2 é o contador de passos mais barato da lista, e o único que combina AMOLED de 1,43 polegada (466x466) com Always-On Display e moldura de liga de zinco por menos de R$ 300. A bateria de 300 mAh rende até 13 dias em uso típico, de 5 a 7 dias com a tela sempre ativa e uso frequente de chamadas, e até 30 dias no modo de economia. O relógio atende chamadas por Bluetooth, tem mais de 150 modos esportivos e integração com o Strava.
O review dá nota 7.8 e aponta as ressalvas: não tem GPS integrado, a resistência é de apenas 1 ATM (respingos e chuva, sem natação), a pulseira pode não servir em pulsos grossos e o microfone sofre com vento. Para contagem diária de passos e notificações, nada disso pesa, e o preço torna o Solar Lite 2 uma boa porta de entrada.
A Oficina da Net listava R$ 122,35 na Shopee, com menor preço de R$ 108,55 em 08/08/2026; a Magazine Luiza trazia de R$ 247 a R$ 308 em anúncios de varejo, e o nosso review citou de R$ 265 a R$ 280 na Magazine Luiza. A diferença é grande; compare, e priorize a Magazine Luiza ou outro varejista se quiser garantia.
A pergunta mais comum de quem chega a este guia é qual smartwatch comprar para contar passos. A lista abaixo resume a resposta por perfil; a escolha final depende também do celular que você usa e da loja onde o preço estiver melhor.
Antes de fechar a compra, compare o preço entre as lojas: a diferença entre o menor e o maior valor visto para um mesmo aparelho chega a R$ 235 na Xiaomi Smart Band 10 (de R$ 266,51 a R$ 500,98) e a R$ 125 no Huawei Band 10 (R$ 254,15 a R$ 378,90). Prefira anúncios com nota fiscal e entrega pelo próprio marketplace, e guarde a caixa para eventual troca. Em vendedores parceiros e de importação, a garantia depende do vendedor; leia o guia sobre garantia de smartwatch no Brasil.
Se o seu orçamento ou a sua prioridade forem diferentes, os nossos guias de smartwatch até R$500, até R$800 e melhor smartband cobrem outros recortes. Se quer um relógio para começar a treinar, veja o guia para iniciantes até R$300 e o guia de smartwatch com GPS até R$1.000; para saúde do coração, o guia de frequência cardíaca.
O Huawei Watch Fit 5 estava na lista de candidatos e foi retirado: o monitor da Oficina da Net listava R$ 735,08 na Shopee e R$ 790,20 no Mercado Livre, mas R$ 858,00 na Amazon em 11 de outubro de 2026, acima do teto de R$ 800 (review). Para contar passos, ele não oferece vantagem sobre as smartbands abaixo; o GPS de banda dupla e o corpo de alumínio só fazem diferença para quem quer treinar.
Também deixamos de fora relógios sem receptor de GPS e sem diferencial de passos que custam mais que o teto de R$ 800, e smartwatches maiores de R$ 1.000 ou mais, que cabem nos nossos guias de smartwatch até R$1.000 e até R$1.500. O objetivo aqui é manter o foco em contagem diária e sedentarismo, e não repetir guias de treino ao ar livre.
| Modelo | Nota | Preço verificado (9 a 11/10/2026) | Tipo | Tela | Bateria | Peso | GPS |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Xiaomi Smart Band 10 | 8.4 | R$ 266,51 a R$ 500,98 (Magalu, Pix) | Smartband | AMOLED 1,72" | 14 a 21 dias | 15,95 g | Não |
| Huawei Band 11 | 8.3 | R$ 249 a R$ 254,15 (Amazon/Shopee) | Smartband | AMOLED 1,62" | 8 a 14 dias | 16 a 17 g | Conectado |
| Samsung Galaxy Fit3 | 8.1 | R$ 199,00 (Amazon) · R$ 264,34 (Shopee) | Smartband | AMOLED 1,6" | Até 13 dias | 18,5 g | Não |
| Redmi Watch 5 Lite | 8.0 | R$ 314,99 (ML) · R$ 358,71 (Shopee) | Smartwatch | AMOLED 1,96" | n/d no review | 29,2 g | Sim (GNSS) |
| Huawei Band 10 | 7.9 | R$ 254,15 a R$ 378,90 | Smartband | AMOLED 1,47" | 14 dias (~11 em uso real) | 14 a 15 g | Não |
| Redmi Watch 5 Active | 7.7 | R$ 215,28 (ML) · R$ 269,48 (Amazon) | Smartwatch | LCD 2" | Até 18 dias | 30,6 g | Não |
| Haylou Solar Lite 2 | 7.8 | R$ 122,35 (Shopee) a ~R$ 308 (Magalu) | Smartwatch | AMOLED 1,43" | 13 dias | n/d no review | Não |
Preços consultados entre 9 e 11 de outubro de 2026; variam diariamente. “n/d” indica dado não informado no review. O peso é o do corpo do aparelho, sem pulseira, quando a fonte indica.