A Samsung trouxe sua linha "Fan Edition" para os smartwatches com o Galaxy Watch FE: a promessa de entregar a experiência Galaxy Watch por um preço menor. Mas, sob o visual moderno, mora um hardware bem conhecido. Será que o atalho da Samsung para o Wear OS acessível compensa? Usei para descobrir.

O Galaxy Watch FE tem o visual redondo clássico da Samsung, leve e confortável (26,6 g), com dois botões e as típicas alças afuniladas. Vem em tamanho único de 40 mm (preto, prata e pink gold). A tela é uma OLED de 1,2", 396×396, nítida e colorida, com um detalhe que agrada: vidro de safira, mais resistente a arranhões que o de modelos antigos. As bordas são um pouco mais grossas que as dos flagships atuais.
Aqui está a maior força: rodando Wear OS, ele tem acesso aos apps de verdade (Google Maps, Spotify, WhatsApp) — uma vantagem enorme sobre os baratos da Amazfit e Huawei. Na saúde, traz FC, ECG, sono, mais de 100 modos de exercício e o Samsung Health. O ECG e alguns recursos, porém, só funcionam plenamente com celular Samsung.
A autonomia é o ponto fraco — como em quase toda a linha Samsung. Com a bateria de 247 mAh, espere cerca de 1,5 dia de uso real (com sono, FC e notificações). O desempenho no dia a dia é fluido para toques e navegação, mas o chip Exynos W920, de 2021, mostra a idade em apps mais pesados e levanta dúvidas sobre por quanto tempo ele se manterá ágil.
Três pontos: o hardware é datado (essencialmente um Galaxy Watch 4 repaginado), a bateria é mediana e há só um tamanho (40 mm), que pode ser pequeno para alguns pulsos. Há ainda a concorrência interna: o Galaxy Watch 6/7 vive em promoção e às vezes sai pelo mesmo preço, entregando mais. Fora do ecossistema Samsung, rivais como o Amazfit Active 2 oferecem mais bateria e estilo por menos.
O Galaxy Watch FE faz sentido para quem tem um celular Samsung, quer entrar no Wear OS e não quer gastar com um flagship. Ele entrega o essencial bem feito: tela com safira, saúde completa com ECG, apps de verdade e um visual clássico. É um bom primeiro Galaxy Watch.
O problema é o contexto: se o Galaxy Watch 6 ou 7 estiver pelo mesmo preço (o que acontece com frequência), eles entregam mais. E se bateria e estilo importam mais que o ecossistema Samsung, um Amazfit é mais esperto. Compre o FE quando ele estiver em boa promoção — aí, sim, vira uma porta de entrada que vale a pena. No Brasil, fique de olho nas ofertas e na versão (Bluetooth ou LTE).