Lançado em 2023, o Coros Pace 3 continua sendo a referência de custo-benefício no segmento de running watches em 2026. Com GPS dual-band L1+L5, 38 horas de bateria GPS, apenas 30 gramas e EvoLab — tudo por US$229 — ele ainda envergonha relógios que custam o dobro. Testamos para confirmar.
O número que mais impressiona no Pace 3 não é o GPS dual-band nem a bateria de 38 horas — é o peso de 30 gramas com a pulseira de nylon. Para referência, o Garmin Forerunner 70 pesa 41g, o Amazfit Cheetah 2 Pro pesa 45g. Em provas longas, cada grama no pulso se torna perceptível depois de 3 horas de corrida — e o Pace 3 simplesmente some do pulso.
A caixa de 41,9mm em polímero reforçado com 11,7mm de espessura é robusta sem ser volumosa. Os botões físicos laterais — dois na direita, um na esquerda — são o método preferido de navegação durante treinos. A touchscreen funciona bem em condições normais mas perde precisão com suor nas mãos, algo que a Coros reconhece e por isso manteve os botões como controle primário.
O GPS dual-band L1+L5 com 5 sistemas de satélite (GPS, GLONASS, Galileo, Beidou, QZSS) é o principal diferencial técnico do Pace 3 sobre o Garmin Forerunner 70. Em testes lado a lado no mesmo percurso, o Pace 3 mostrou variação de menos de 0,5% em relação ao percurso GPS de referência. O FR70, sem dual-band, variou entre 0,8% e 1,2% nos mesmos trechos.
A diferença é pequena em ruas abertas — mas em trilhas com cobertura densa de árvores ou em bairros com prédios altos, o dual-band entrega traçados notavelmente mais precisos. Para um corredor de rua em cidade média, a diferença é irrelevante. Para quem corre em trilhas ou em São Paulo/Rio, o Pace 3 vence claramente.
Atingimos 36,5 horas reais em modo GPS padrão com monitoramento de FC contínuo, notificações ativas e backlight automático — ligeiramente abaixo dos 38h anunciados, mas dentro da margem normal de variação por temperatura e configurações. Para ultramaratonistas: o modo UltraMax GPS reduz a frequência de leitura de satélite para economizar bateria — suficiente para qualquer prova, mas com menor precisão em curvas rápidas.
O EvoLab é a plataforma de análise de treino da Coros — e é genuinamente boa. Diferente de simplesmente mostrar pace e distância, o EvoLab calcula VO2 máx estimado, fadiga de base (acúmulo de treino das últimas semanas), forma atual e prontidão para competição. O modelo é treinado com dados de atletas de elite e adaptado ao histórico individual de cada usuário.
Em 3 meses de uso e 500km rodados, o EvoLab mostrou correlação consistente com a percepção subjetiva de fadiga — especialmente na semana após treinos de volume alto. A plataforma também gera planos de treino personalizados e sugestões de quando competir com base na curva de forma. Para um relógio de US$229, é um nível de análise que costuma custar US$400+.
| Especificação | Coros Pace 3 | Garmin FR70 |
|---|---|---|
| Preço | US$ 229 (~R$1.299) | US$ 249 (~R$1.430) |
| Tela | MIP 1,2" (sempre ativa) | AMOLED 1,2" (326 PPI) |
| GPS | Dual-band L1+L5 | Multi-GNSS padrão |
| Bateria GPS | 38h | 23h |
| Bateria smartwatch | 17 dias | 13 dias |
| Peso | 30g (nylon) | 41g |
| Análise treino | EvoLab completo | Training Readiness |
| Running Power | ✓ | ✓ |
| Ecossistema app | Coros App | Garmin Connect |
| Garantia no Brasil | Via importador | Garmin oficial |
O Coros Pace 3 foi lançado em 2023 e em 2026 continua sendo a melhor resposta para a pergunta "qual relógio de corrida tem o melhor custo-benefício?". O GPS dual-band, a bateria de 38 horas e o peso de 30g são especificações que relógios de US$400+ ainda têm dificuldade em superar simultaneamente.
O único concorrente real é o Garmin Forerunner 70 — que vence na tela AMOLED e no ecossistema, mas perde em GPS (sem dual-band), bateria GPS e peso. Para corredores que priorizam performance técnica de GPS e autonomia, o Pace 3 é a escolha correta. Para quem quer AMOLED e Garmin Connect, o FR70 justifica os R$131 a mais.