Durante anos, quem queria titânio, safira, mapas topográficos e bateria de um mês só tinha um caminho: pagar caro num Garmin. O Cheetah 2 Ultra é a tentativa mais séria da Amazfit de quebrar isso — e, depois de semanas de uso, a conclusão é incômoda para a líder do mercado.

A ficha de materiais é de relógio de elite: moldura, caixa e tampa em titânio grau 5, com vidro de safira sobre a tela. São 47,4 mm e 52 g (sem pulseira) — grande, mas surpreendentemente confortável: depois dos primeiros minutos de corrida, ele some no pulso. O visual foge do estilo "militar-tático" do Garmin Fenix, o que o deixa mais apresentável no dia a dia. Vêm duas pulseiras na caixa (tecido e silicone).
A AMOLED de 1,5 polegada (480 × 480) chega a 3.000 nits — o mesmo patamar do Apple Watch Ultra, e bem acima da maioria dos Garmin (que ficam entre 1.000 e 2.000 nits). Na prática: legibilidade perfeita numa largada de madrugada ou sob sol de meio-dia na montanha. Ele também traz uma lanterna LED embutida, com modos branco, vermelho, SOS e "boost" (até 300 lux) — parece bobagem até você usar numa descida técnica antes do amanhecer.
A bateria de 780 mAh (contra 540 mAh do Cheetah 2 Pro) é o coração do produto. A Amazfit promete 30 dias em uso de smartwatch e 60 horas de GPS de banda dupla. Nos testes independentes mais rigorosos, a projeção real ficou em torno de 55 horas em modo de precisão máxima — praticamente o dobro do Cheetah 2 Pro. No modo trail, com tela sempre ligada, frequência cardíaca e navegação por mapa rodando ao mesmo tempo, são 33 horas. Traduzindo: dá para atravessar uma prova de 100 milhas com tudo ligado e ainda sobrar bateria.
O GPS é de banda dupla com seis sistemas de satélite, e a melhora é mensurável: em testes comparativos, a precisão subiu de 73% (Cheetah 2 Pro) para 85% no Ultra. Os 64 GB guardam mapas topográficos coloridos offline, com curvas de nível, navegação passo a passo e recálculo automático de rota. A novidade Elevation Overview mostra em tempo real a inclinação da próxima subida e quanto falta de ganho vertical — muito útil para dosar o esforço numa travessia.
Seria desonesto dizer que ele empata em tudo. A navegação da Garmin ainda é mais polida — o ClimbPro, por exemplo, é mais refinado que o Elevation Overview. O download de mapas por "tiles" no app da Amazfit é burocrático e chato. Registramos anomalias ocasionais na frequência cardíaca, sinal de que o algoritmo ainda pode melhorar. E não há carga solar, que o Garmin Enduro oferece. Por fim, o ecossistema Garmin Connect segue sendo mais maduro para análise de longo prazo.
O Amazfit Cheetah 2 Ultra é o relógio mais completo que a marca já fez — e o que mais incomoda a Garmin. Ele entrega titânio, safira, mapas topográficos offline, GPS de banda dupla preciso, lanterna e 30 dias de bateria por um preço que fica centenas de dólares abaixo dos rivais diretos. Se você é trail runner ou ultramaratonista e mede seus esforços em horas, não em quilômetros, ele é uma compra excelente. A Garmin ainda vence em polimento de navegação e maturidade de ecossistema — mas a distância nunca foi tão curta, e o preço nunca esteve tão desequilibrado a favor da Amazfit.