Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de Michigan, publicado em 3 de setembro na revista científica Sensors e liderado pelo professor Adam Lepley, revisou a literatura sobre a precisão dos dados de saúde coletados por smartwatches — e concluiu que nem toda métrica exibida no relógio merece o mesmo grau de confiança.

De acordo com o professor Adam Lepley e sua equipe, a diferença de confiabilidade está na forma como cada dado é obtido. Frequência cardíaca e passos são medidos de forma relativamente direta pelos sensores do relógio. Já calorias queimadas, estágios de sono e hidratação dependem de estimativas calculadas por algoritmos proprietários, que fazem suposições sobre o corpo do usuário — suposições que nem sempre se aplicam igualmente a todo mundo.
Para o usuário comum, a recomendação não significa abandonar o acompanhamento de saúde pelo relógio, mas sim calibrar as expectativas: números como calorias queimadas em um treino específico devem ser vistos como estimativas aproximadas, não como valores exatos. Já a frequência cardíaca em repouso e a contagem de passos podem ser usadas com mais confiança para decisões do dia a dia.
O estudo não aponta uma marca específica como mais ou menos precisa, mas reforça uma preocupação que já vinha sendo discutida na indústria de wearables: conforme os smartwatches assumem um papel cada vez maior no acompanhamento de saúde, a transparência sobre os limites de cada métrica se torna tão importante quanto a própria precisão dos sensores.