Um estudo na Nature Geoscience sugere que a nuvem de até 1.800 km sobre o vulcão Arsia Mons, em Marte, se forma por nucleação homogênea, com o gelo surgindo direto do vapor d’água, sem poeira. A conclusão vem de simulações, não de medição direta.

O Arsia Mons é um vulcão de cerca de 20 km de altura. Sobre ele, e a favor do vento, surge nas manhãs da primavera e do verão do hemisfério sul marciano a chamada Arsia Mons Elongated Cloud (AMEC), uma nuvem de gelo de água que pode chegar a 1.800 km de comprimento, embora costume ter menos de 200 km de largura, segundo o editorial da própria revista. Ela se forma, se alonga e desaparece em um único dia marciano, e volta a aparecer por vários meses.
A sonda Mars Express, da Agência Espacial Europeia (ESA), acompanha o fenômeno há anos. Em 2021, a ESA já divulgava que a nuvem era do tipo orográfico: o ar úmido sobe pela encosta do vulcão, esfria e condensa, como mostrou o Xataka ao repercutir o comunicado. O novo trabalho mostra que essa explicação, sozinha, não bastava.
O artigo, assinado por Jorge Hernández-Bernal e colegas (o Sci.News o vincula à Sorbonne Université e ao CNRS), se chama “Homogeneous ice nucleation from water vapour suggested by elongated clouds on Mars” e saiu no volume 19 da revista (DOI 10.1038/s41561-026-02089-9). Segundo o Sci.News, os modelos anteriores não reproduziam o que a Mars Express registrou; as simulações da equipe só reproduzem a nuvem quando a nucleação homogênea entra na conta.
| Ponto | O que a fonte informa |
|---|---|
| Comprimento máximo | Até 1.800 km (Nature Geoscience e Sci.News) |
| Largura habitual | Menos de 200 km (editorial da Nature Geoscience) |
| Altura do vulcão | Cerca de 20 km |
| Mecanismo proposto | Gelo se forma direto do vapor, sem poeira (nucleação homogênea) |
| Condição exigida | Umidade relativa muito acima do normal; o Sci.News fala em mais de 100.000 vezes os níveis típicos da Terra |
| Como se chegou lá | Simulações de ondas de vento sobre o vulcão, comparadas com imagens da Mars Express |
Na Terra, nuvens quase sempre dependem de partículas, como poeira ou sal, para o gelo se formar. A nucleação homogênea é conhecida na teoria e já foi proposta para camadas altas da atmosfera da Terra e de Vênus, mas segue sem confirmação. O editorial sugere que o caso marciano pode ajudar a entender o processo por aqui, o que continua sendo uma possibilidade, não um resultado.
Para o leitor do MundoWatch, o assunto é ciência pura, mas dialoga com um tema que acompanhamos: sensores e modelos que traduzem o clima em informação. Veja, por exemplo, o recorde de calor na Terra em agosto como o mês mais quente, ou como relógios com bússola e altímetro ajudam em trilhas, e outra frente científica em ímãs supercondutores para fusão.
Qual o tamanho da nuvem? Até 1.800 km. Onde fica? A favor do vento do vulcão Arsia Mons, em Marte. Qual a novidade? Gelo que se forma sem poeira, segundo simulações. Foi observado diretamente? Não, é inferência de modelo. Onde saiu? Nature Geoscience, outubro de 2026.