O ex-engenheiro Abdulrahman Alfozan foi preso em 9 de outubro e acusado de instalar um gravador escondido em papel higiênico numa sala de reuniões da diretoria da OpenAI. A empresa diz que não há indício de acesso a código, modelos ou dados de clientes. É uma acusação, não uma condenação.

Segundo o Tecnoblog, o aparelho foi encontrado em 30 de setembro, ligado à porta USB de uma televisão e escondido dentro de um rolo de papel higiênico. Guardava gravações criptografadas, e a sala era usada para discutir pesquisa, planos de produto, decisões estratégicas e relações comerciais. A denúncia, segundo o SF Standard, identifica o aparelho como uma placa Seeed XIAO ESP32-S3 Sense, com microfone digital e cartão microSD. O dispositivo teria sido instalado por volta de 28 de setembro.
| Data | O que consta | Fonte |
|---|---|---|
| 24 a 30/09 | Conta de chatbot associada à esposa do engenheiro teria feito perguntas sobre montar, instalar e esconder um gravador | Tecnoblog e SF Standard |
| ~28/09 | Instalação do aparelho, segundo a apuração da OpenAI | SF Standard |
| 30/09 | Segurança da OpenAI encontra o dispositivo na sala | Tecnoblog |
| 05/10 | Câmera mostra o engenheiro olhando atrás da TV; um segundo gravador é achado em mochila sem dono, com documentos dele | Tecnoblog e SF Standard |
| 09/10 | Prisão pelo FBI; OpenAI o demite | Tecnoblog e SF Standard |
| 13/10 | Acusação formal e primeira audiência na Justiça federal | Tecnoblog e News4Jax |
| 19/10 | Audiência de detenção marcada, segundo o SF Standard (resultado não verificado por nós) | SF Standard |
A empresa afirma ter usado seus próprios modelos de IA para entender o dispositivo e descobrir de onde ele veio, e depois levou o caso ao FBI. Em nota, a OpenAI disse: “Nós usamos nossos modelos para entender o dispositivo e descobrir de onde ele veio”, conforme o Tecnoblog. A denúncia também cita imagens de câmeras de segurança que mostram o engenheiro perto da sala em várias ocasiões, embora ele não tivesse autorização para entrar nela, e consultas a uma ferramenta de produtividade sobre endereços, salas e calendários, segundo o SF Standard.
Se condenado, Alfozan pode pegar até cinco anos de prisão e multa de US$ 250 mil (cerca de R$ 1,26 milhão), segundo o Tecnoblog; o SF Standard acrescenta até três anos de liberdade supervisionada. O caso vem depois de a OpenAI ter demitido três funcionários por um suposto vazamento de informações sobre seus modelos e reforça como a corrida da IA virou tema de segurança corporativa e de contraespionagem, algo que o Departamento de Justiça e o FBI trataram como questão de segurança nacional nas declarações citadas pela imprensa americana.
A OpenAI tem aparecido no site em disputas e produtos: veja o processo da Apple por segredos de hardware, a liminar sobre segredos comerciais, o primeiro hardware da empresa e a disputa com Google e Anthropic. Sobre segurança de dados no mesmo período, leia também o caso da Meta e o GitHub.
Quem é o acusado? Abdulrahman Alfozan, 35 anos, ex-engenheiro da OpenAI. Do que é acusado? De usar um dispositivo para interceptar comunicações orais. Houve roubo de código ou dados? A OpenAI diz não ter indício disso. Qual a pena máxima? Cinco anos e multa de US$ 250 mil. Já foi condenado? Não.