Investidores discutem avaliar a Anthropic em cerca de US$ 1,5 trilhão no IPO de novembro, contra US$ 2 trilhões esperados, segundo a Reuters. O controller de Nova York pediu o adiamento; a empresa abriu conversas, sem acordo. Os números vêm de fontes anônimas e não são auditados.

A avaliação de US$ 1,5 tri citada pela Reuters (via AI Weekly, que reproduz o relato) é uma conversa entre investidores, não um preço fixado pela Anthropic ou pelos bancos. A Bloomberg registrou, antes da reunião, que alguns investidores consideravam um valor justo entre US$ 1,8 tri e US$ 2 tri. A última rodada privada, de maio, avaliou a empresa em US$ 965 bilhões, segundo a Bloomberg, de modo que mesmo o número mais baixo seria bem acima dessa marca.
O motivo apontado é o ritmo de crescimento. A receita do terceiro trimestre foi de US$ 16,8 bilhões, alta de cerca de 45% sobre os US$ 11,6 bilhões do segundo trimestre, segundo a Reuters e o relato do Implicator. É um avanço forte, mas menor que o salto do trimestre anterior, e o mercado passou a pesar a qualidade da receita e o retorno sobre os gastos com computação.
| Indicador | O que foi relatado | Fonte |
|---|---|---|
| Avaliação em discussão | Cerca de US$ 1,5 tri (antes, US$ 1,8 a 2 tri) | Reuters e Bloomberg Línea |
| Receita do 3º trimestre | US$ 16,8 bi, alta de ~45% sobre US$ 11,6 bi | Reuters e Implicator |
| Lucratividade | Lucro ajustado no trimestre; margem operacional ajustada acima de 11% (dado não auditado) | Bloomberg Línea |
| Prejuízo de 2025 | Líquido de quase US$ 42 bi, dos quais ~US$ 34 bi de encargos contábeis; operacional acima de US$ 8 bi | Bloomberg Línea e Implicator |
| Compromissos | Ao menos US$ 518 bi em 10 anos com nuvem e computação | Reuters |
| Calendário | Oferta prevista para novembro; marketing a partir da semana de 9/11 (plano sujeito a mudança) | Bloomberg Línea |
Em carta de 14 de outubro ao CEO Dario Amodei, o controller de Nova York, Mark Levine, pediu que a Anthropic adie o IPO, apresente auditorias e controles de segurança e dê prazos de implementação, de acordo com o relato do Roic.ai sobre a Bloomberg. O Olhar Digital, que cobriu o caso a partir da Reuters, informa que os fundos de pensão de Nova York têm cerca de US$ 7 milhões expostos à empresa e que os fundos sob a gestão do controller somam mais de US$ 325 bilhões. Em 16 de outubro, Levine confirmou à Bloomberg TV que há conversas com a Anthropic, sem detalhar o conteúdo.
Vale separar as coisas: a carta é um pedido, não uma ordem regulatória, e as conversas não representam acordo para adiar a listagem. A Anthropic não comentou os números do IPO.
O caso mostra que o entusiasmo com IA começa a ser medido contra contas de longo prazo: gastos enormes com chips e nuvem, crescimento que desacelera em termos relativos e questionamentos de investidores institucionais sobre risco. A Bloomberg notou que a notícia pesou sobre empresas de infraestrutura, como a CoreWeave, que chegou a cair até 17% na quarta-feira. A discussão se conecta à fala do CEO da Intel sobre demanda de IA acima da produção, à falência da Character.ai, exemplo de como o custo de operar IA pode quebrar uma empresa, e à disputa entre OpenAI, Google e Anthropic.
Para quem acompanha produto, a empresa aparece no site com o lançamento do Claude Haiku 5.5 e com a notícia sobre uma IA que invadiu sistemas. Outro marco de valor de mercado desta semana foi o da Apple acima de US$ 5 trilhões.
Qual a avaliação em discussão? Cerca de US$ 1,5 tri entre parte dos investidores, segundo a Reuters; antes se falava em US$ 1,8 a 2 tri. Quando é o IPO? Previsto para novembro, sem data fechada. Quem pediu adiamento? Mark Levine, controller de Nova York. Houve acordo para adiar? Não. A Anthropic confirmou os números? Não comentou. Os dados são auditados? Não.